Educação

Fetiche não é diagnóstico: o que a psicanálise diz sobre o desejo

Freud escreveu sobre fetiche há mais de um século. De lá pra cá, muita coisa mudou na forma como a clínica olha para as fantasias.

Por Sarah Zeffer · 30 out 2026 · 6 min de leitura
Retrato em preto e branco de Sarah Zeffer

Texto de exemplo para o layout. A Sarah escreve a versão final.

Quando alguém chega ao consultório e diz, meio sem jeito, que tem um fetiche, quase sempre vem junto uma pergunta escondida: tem algo de errado comigo? Essa pergunta merece cuidado, e não uma resposta pronta.

Em 1905, nos Três ensaios sobre a teoria da sexualidade, Freud já mostrava que a sexualidade humana é muito mais ampla e variada do que a ideia de “normal” sugere. O fetiche aparecia ali como uma das muitas formas que o desejo encontra para se organizar.

O desejo não pede licença para existir. O que ele pede é para ser escutado.

Preferência não é doença

A própria psiquiatria hoje separa as duas coisas. Ter uma fantasia ou uma prática específica, entre adultos e com consentimento, não é um transtorno. O que entra no campo do sofrimento é quando aquilo causa angústia intensa, prejudica a vida da pessoa ou envolve alguém que não consentiu.

O que a análise oferece

Na psicanálise, a ideia não é “corrigir” o desejo. É entender a história que ele conta: de onde vem, o que protege, o que repete. Muitas vezes, o que pesa não é o fetiche em si, mas a culpa, o segredo ou o medo de não ser aceito.

Se isso conversa com você, saiba que esse é um assunto possível de ser levado para a terapia. Sem julgamento.

Sarah Zeffer
Sarah Zeffer

Psicanalista clínica. Escreve sobre desejo, relações e o que costuma ficar em silêncio.

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Comentários

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Marina31 out 2026

Nunca tinha lido sobre isso de um jeito tão acolhedor. Obrigada pelo texto.

Sarah Zeffer31 out 2026

Que bom que chegou assim até você, Marina. Volte sempre.

R.1 nov 2026

A parte da culpa me pegou. Dá pra levar isso pra terapia de casal também?

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